24 de novembro de 2014

Côte d'Azur | Visitar Villefranche-sur-Mer


Gostei tanto de Villefranche-sur-Mer! Uma vila secular mesmo coladinha a Nice. Quem visita Nice, e for com pouco tempo, terá de arranjar nem que seja uma hora para conhecer Villefranche, vale demasiado a pena.

E foi tão fácil chegar aqui: É apanhar o autocarro 100 em Nice, na paragem Port, e em 10 minutos estamos em Villefranche-sur-Mer - por 1,50€ por percurso. Sem muitas certezas saímos na paragem Barmassa e penso que foi o melhor que fizemos porque fomos conhecendo a vila de cima para baixo, ou seja, fomos descendo escadas e as ruelas até chegarmos à margem. Vocês não imaginam a minha cara de felicidade a descer a Rue de l'Église, quando dei por mim estava a descer as escadas aos pulinhos. A envolvência daquele lugar deixou-me encantada. E é bom quando perdemos aquela auto-censura estúpida que nos mantém sempre sérios e comportados o tempo todo. E por que não pular? Rodopiar? E com um sorriso na cara sem querer saber o que os outros pensam? Isso sim é ser livre e viver o momento.


Esta antiga vila piscatória, que já pertenceu a Itália, sempre teve uma grande importância marítima. A sua baía natural, que tem uns impressionantes 95m de profundidade, durante séculos passados permitiu que navios de grande porte pudessem atracar no seu porto. Até aos dias de hoje, a grande maioria dos cruzeiros que têm como destino a Côte d'Azur têm como ponto de chegada Villefranche-sur-Mer. E para percebermos a importância que esta vila teve, basta ler o seu nome. Villefranche, que em niçard diz-se Vilafranca de Mar, sendo uma vila franca, tinha privilégios quanto a impostos e taxas - tal como a zona franca nos aeroportos - que durou até ao século XVIII.

E o que há para conhecer? A cidadela, as ruas antigas, o porto de Villefranche-Darse, a famosa e medieval Rue Obscure que fica à frente de outra bem conhecida que é a Rue du Poilu, as igrejas St Michel e St Pierre, o mar, as praias (Plage de la Darse, Plage des Marinières e a Plage de l'Ange Gardien) e a Promenade des Marinières.


Momento a partilhar: Como sabem, nem tudo corre às mil maravilhas. O autocarro 100 tem uma das rotas mais apetecíveis pelos turistas e locais que se deslocam para trabalhar nas terras vizinhas. Não sabíamos que havia greve de comboios, logo os autocarros estavam a abarrotar ainda mais do que é costume. Para voltar a Nice, no espaço de 1 hora, vimos passar quatro autocarros, a dizer 'Complet' com pessoas coladas aos vidros. Nem paravam porque já não cabia mais um pézinho lá dentro. Nós bem esticávamos o braço mas os motoristas abanavam com a cabeça que 'não'. A paragem tinha só uma indicação de que era a paragem, não havia sombra, nem bancos. Éramos as únicas pessoas ali. Comecei a ficar com princípios de insolação, a sentir-me muito mal, com calafrios, já tinha o casaco de malha enrolado na cabeça.

Quando já desesperávamos e começámos a ponderar seriamente descer montes e vales a pé até Nice, passa um autocarro que me vê praticamente colada ao chão com o Helder a apoiar-me. O motorista, numa curva, travou a fundo e fez marcha atrás. Fez sinal para entrarmos pela porta de trás e, o pessoal colado aos vidros, ajeitou-se para entrarmos. Quando chegámos a Nice, fomos agradecer ao motorista e, claro, pagar o bilhete. Ele não falou, fez um sorriso e um sinal universal de como quem diz "Esqueçam isso, podem ir embora". Senhor motorista, decerto que nunca mais nos veremos, mas terei o seu bonito gesto sempre no meu coração. Não o de não pagar (que também foi simpático!) mas o de não nos deixar ali plantados.


Viagem: Outubro 2014
Fotos: Carina Teixeira

1 comentário:

  1. Essa ainda não me tinhas contado. Que aventura e que sorte de ainda existirem boas pessoas:)
    Gostei muitos das fotos!:)

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