5 de março de 2015

Côte d'Azur | Menton

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Menton foi uma inesperada e agradável surpresa. Inesperada porque a visita não foi planeada e agradável porque é uma terra muito charmosa. E o que mais me impressionou foi o mar. A cor do céu e do mar. No dia em que visitámos o Mónaco, íamos visitar primeiro Éze Village mas não conseguimos. Houve uma mudança qualquer nos autocarros e não quisemos esperar. Depois de uma manhã bem preenchida no Mónaco, dei uma olhadela ao horário do autocarro e vi que a última paragem era Menton. Fui à net no telemóvel ver imagens e fiquei com um brilhozinho nos olhos. Depois fui ao Google Maps situar-me e vi que Menton era a última comuna francesa daquela região antes de Itália, fazia fronteira. E, assim, como quem não quer a coisa, olho para o Helder e digo: "Olha, e se em vez de voltarmos para Nice, entrássemos no autocarro e fossemos até ao fim do percurso?". O meu Helder não é de me negar estas coisas. Agarrámos em nós e fomos! Mais um percurso, mais 1,50€ e sempre na carreira 100.

Desta vez não tinha mapas com um percurso pré-definido, por isso, foi tudo muito instintivo. Vimos logo onde tínhamos de virar e encontrámos o mar. Fomos até à praia e fiquei embevecida com aquilo tudo. O dia continuava cinzento mas, mesmo assim, não tirou a beleza legítima que Menton tem. Vi uma terra com muita história, a história contada pela sua parte mais antiga. Uma zona antiga colorida, com os tons típicos daquela região. Andámos por ali, meio perdidos, meio encontrados. Durante o passeio fiz questão de não me guiar pelo Google Maps. Estávamos contentes por conhecer algo inesperadamente tão lindo e quisemos que a descoberta fosse genuína, sem estarmos sempre dependentes da tecnologia. E eu não cabia em mim de felicidade e ansiedade por saber que Itália estava ali tão perto, o meu amor platónico estava quase a deixar de o ser.


Menton é conhecida como a Pérola de França e é famosa pelo seu micro-clima que potencia a produção de qualidade de limões, tangerinas e laranjas. Até um dos símbolos da cidade é o limão! Mas voltando um pouquinho atrás no tempo, a presença humana onde actualmente se encontra a cidade, remonta ao paleolítico. No entanto, tal como várias terras à sua volta, Menton foi fundada pelos ligures. E é interessante saber que pertenceu ao Principado do Mónaco do século XIV e XIX. Por isso, a nível histórico, esta cidade pertence a França há muito pouco tempo (1860). No entanto, e já que fica mesmo ali ao lado, Menton não se livrou de ser ocupada por Itália durante a II Guerra Mundial por algum tempo. Contudo, a coisa voltou ao que era em 1943. É de se frisar que o Mentonasc é o dialecto da região falado ainda por uma pequena parte da população.

O que visitar? Só quando cheguei a Portugal é que tive bem a noção do que vi e percorri dado que fui para onde o vento me levou. Saímos na paragem Casino e o que tínhamos logo ali? O Casino Barrière de Menton. Dobrámos a esquina e encontrámos a Promenade du Soleil com a praia logo à frente. Quisemos pisar a areia, ou melhor as pedrinhas, e vimos aquele mar maravilhoso que nos deixou sem palavras. Continuámos a caminhar pela promenade, passamos por um jardim que fica perto da marina. Logo de seguida, encontrámos o Mercado Municipal e dali fomos para a parte antiga da cidade. Que sítio lindo! Cores, ruelas, subidas e descidas, uma arquitectura fantástica mas com as suas fachadas visivelmente desgastadas pelo tempo. E é aí que encontrámos a Basilique Saint-Michel. E continuámos a cirandar por ali, sem rumo e felizes.


Momento a partilhar: Entre uma montanha e outra lá para os lados do Mónaco, entrou um rapaz no autocarro que ficou em pé por não haver mais lugares. Nós, de vez em quando, íamos falando e ele olhava para nós, discretamente, mas olhava. Quando ríamos ele também esboçava um sorriso. Até que começámos a questionar-nos onde seria a última paragem, pois tinha havido umas pequenas alterações. O rapaz começou a ficar diferente, parecia que queria falar connosco. Mas depois retraía-se. Quando chegámos a Nice, ele disse, a grande velocidade como se tivesse aquilo engasgado há uns 15 minutos: "Olá, eu sou português e a última paragem é Port". Por uns milésimos de segundos ficámos boquiabertos a olhar para ele. Quer dizer que durante aquele tempo todo ele percebeu o que falávamos - ainda bem que nos comportámos! :D

Saímos do autocarro e ficámos a conversar com ele. Português que se encontra em terras estrangeiras passa a ser o nosso melhor amigo. Quando soubemos que ele era da Margem Sul, como nós, foi uma festa. Falámos um pouco da nossa margem, de Portugal e ele de Nice, onde vive há 10 anos. Ele não pensa em regressar e, mesmo tendo uma vida dura, tem conseguido orientar-se melhor por lá do que por cá. Sabem quando vemos que alguém ficou feliz por encontrar o seu país no formato de uma pessoa? Por ouvir a sua língua no meio daqueles franceses todos? Por essas pessoas saberem falar da sua cidade porque vivem lá perto? E, embora não tivéssemos trocado os nossos contactos, ele, como bom português, disse: "Qualquer coisa que precisarem por aqui dêem uma apitadela, ok? Qualquer coisa. Boas férias!".


VER TODA A VIAGEM À CÔTE D'AZUR


Viagem: Outubro 2014
Fotos: Carina Teixeira

1 comentário:

  1. nunca estive em menton, mas pelas fotos gostei imenso! adorei o momento com o português eheh já me aconteceu semelhante! :p

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