23 de novembro de 2016

Cabo Verde | São Vicente - Diário de Viagem #7



Primeira missão do dia: ir ao Snack-bar 003 tomar um pequeno-almoço tipicamente cabo-verdiano, ou seja, catchupa guisode (cachupa guisada). É um dos meus pratos favoritos, cresci a comer isto aos Domingos de manhã. Quando a minha mãe fazia cachupa aos sábados, ficava tão feliz por saber que no dia seguinte de manhã havia cachupa guisada! E o que é esta maravilha? É a cachupa que sobra do dia seguinte, retira-se o caldo e refoga-se numa frigideira. Leva rodelas de chouriço frito e um ovo estrelado. Tudo acompanhado com café com leite. Este é o pequeno-almoço dos rijos, do pessoal com estômago forte. :D O Helder não conseguiu ingerir a full version, portanto, ele foi o pecador que tinha o compal em cima da mesa, como se vê na fotografia.


Digamos que este foi o nosso último dia útil, em que podemos passear à vontade, sem pressas e sem muitos convites (tínhamos apenas dois). De barriga bem cheia, praticamente a rebolar pelas ruas mindelenses, fomos andar tranquilamente pela Morada, fomos uma última vez à Laginha, fizemos umas compras no supermercado A Fragata e noutras lojas tradicionais. Tudo para podermos trazer uma bocadinho mais de Cabo Verde connosco e dar a provar à família e amigos em Portugal. Bem, para a minha família não é novidade, como cabo-verdianos exemplares que somos, trazer ou levar encomendas é crucial. Para lá levei chouriços e bacalhau, para cá trouxe milho, peixe seco, queijo, etc. Há sempre uma mala exclusivamente dedicada às iguarias de cada terra.


Já vos disse como adoro a água da Laginha? É hipnotizante. Aquele azul, já viram bem? Ali tomei a última Strela Kriola, se pudesse tinha trazido, no mínimo, um pack de 24 para Portugal. E as ruas de Mindelo? Já vos disse como me sinto bem nelas? Parece que lá estive a vida toda. E toda aquela ilha? Cada ponto uma surpresa. E as pessoas? Ainda dão boleia umas às outras, mesmo que seja na parte detrás de uma pick-up, sem questionarem seja o que for. O stress e a desconfiança estavam a um nível tão baixo comparativamente ao que temos aqui, que nos faz questionar que raio é que estamos a fazer à nossa vida e a nós próprios!


Neste dia, percebi que não me importaria de ficar mais umas semanas, não sei se em modo visitante ou em modo local, mas ficar lá por uns tempos. Todo o tempo soube a pouco. E claro, também não me importaria de voltar a Santo Antão e explorar mais e mais a terra dos meus antepassados. E a sensação de estar na Laginha e conseguir ver, a um pequeno e bravo mar de distância, Santo Antão, aquelas montanhas ali à frente?! Parecem grandes sim, mas asseguro que são muito maiores que do que possam imaginar. Que corajosa a minha mãe, sair de um local tão isolado, com áreas quase inóspitas, e enfrentar um mundo feito de tantos ruídos, pressas, confusões e empurrões. É bom não esquecer do que somos feitos e o meu conteúdo vem também destas ilhas e da força dos meus.



O diário de viagem #8, o dia do regresso a Portugal. Cansados mas felizes por ter vivido esta experiência juntos, por ter revisitado as minhas origens e tê-las apresentado, in loco, ao Helder.




Viagem: Março 2015

Sem comentários:

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...