10 de fevereiro de 2017

Mina de São Domingos


Quem visita Mértola, não pode deixar de passar por esta pequena terra chamada Mina de São Domingos. Para além das ruínas do complexo mineiro, existe uma praia fluvial, a Praia da Albufeira da Tapada Grande, muito bem cuidada para quem quiser dar uns mergulhos e passear pelo pontão de madeira. Por lá, vimos também muitas caravanas e autocarros de matrícula estrangeira que visitam aquela zona do Alentejo. Mas o que iria prender grandemente a minha atenção estava por vir. Andámos às voltas, a estrada que nos levaria directamente ao complexo mineiro estava em obras, então foi complicado entender qual seria o caminho alternativo. Mas encontrámos. Nós e um autocarro com turistas do Leste europeu. Gente corajosa, já com uns 70 anos bem contados, que se empoleirava onde não devia. O meu coração parava cada vez que trespassavam as barreiras de segurança. Estive sempre preocupada - é que uma queda não só seria fatal como teria o terrível acréscimo de caírem dentro de uma lagoa contaminada. 

Turistas-kamikazes à parte, seria estranho dizer que uma lagoa altamente contaminada é fascinante. Só mesmo visitando para entender. É mesmo fascinante. A lagoa faz parte do complexo mineiro da Mina de São Domingos, complexo esse repleto de ruínas tendo como cor predominante o avermelhado da terra. Em 1965, devido ao esgotamento do minério, os trabalhos terminaram. Com isto a aldeia mineira, a primeira a ter luz eléctrica no país, entrou também em decadência. Toda aquela deterioração do complexo confere algum mistério ao ambiente e puxa o Indiana Jones que há em nós. No entanto, é inevitável pensar que tudo aquilo poderia ter sido restaurado e cuidado enquanto património. Teve um papel tão importante para a região e para o país. Mas não percebi se a aldeia mineira, e o que a rodeia, não foi recuperada propositadamente ou se não houve interesse e/ou capital para isso. Fiquei confusa porque percebi que houve investimento no passadiço de madeira e nos sinais com os percursos a serem feitos. Contudo, nem um vigilante para dar uma olhadela aos aventureiros.



Viagem: Outubro 2016

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